A tributação de instituições financeiras no Brasil envolve uma complexidade particular: a diferença entre a contabilidade societária (que segue as normas do BACEN e os CPCs) e a base de cálculo fiscal (regida pelo Regulamento do Imposto de Renda e pela legislação tributária) cria as chamadas diferenças temporárias, origem dos tributos diferidos. Compreender essa dinâmica é essencial para apresentar corretamente as demonstrações financeiras e evitar distorções no resultado reportado.
Qual a norma que regula os tributos sobre lucro nas IFs?
A Resolução 4842 é a norma contábil que rege o tratamento dos tributos sobre o lucro nas IFs, baseada no IAS 12/CPC 32 (apesar de termos algumas diferenças). Ela determina como reconhecer tanto os tributos correntes (IRPJ e CSLL do período atual) quanto os tributos diferidos (que surgem de diferenças temporárias entre o resultado contábil e o lucro fiscal). As IFs devem fazer os ajustes necessários no LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real) para neutralizar efeitos contábeis que não têm correspondência fiscal.
O que são tributos correntes e tributos diferidos?
Tributos correntes são os valores de IRPJ e CSLL devidos (ou a compensar) com base no lucro fiscal do período atual, apurado no Lucro Real. Tributos diferidos surgem quando há diferença entre o resultado contábil e o lucro fiscal que se reverterá em períodos futuros. Há dois tipos: a diferença temporária dedutível, que ocorre quando o ativo contábil é menor que o ativo fiscal, ou o passivo contábil e maior que o passivo fiscal, gerando um ativo fiscal diferido – um benefício tributário futuro que será realizado quando a diferença se reverter. O exemplo clássico em bancos é a provisão ECL que o BACEN aceita contabilmente, mas que só será dedutível fiscalmente quando a perda for efetivamente incorrida. O segundo tipo é a diferença temporária tributável, que ocorre quando o ativo contábil é maior que o ativo fiscal, ou o passivo contábil e menor que o passivo fiscal, gerando um passivo fiscal diferido – um tributo que será pago no futuro. Exemplo: receitas reconhecidas contabilmente antes de serem tributadas.
Como os tributos diferidos afetam as IFs na prática?
Com a Resolução 4966/2021, as IFs passaram a reconhecer provisões para perdas esperadas (ECL) desde a concessão do crédito. Contabilmente, essa provisão já é registrada como despesa no período de concessão. Fiscalmente, porém, a dedução da provisão só é permitida nos termos da legislação tributária vigente – geralmente vinculada ao prazo de atraso do cliente. Isso cria uma diferença temporária dedutível: a despesa contábil (provisão ECL) é maior que a despesa fiscal permitida no período. Sobre essa diferença, a IF reconhece um ativo fiscal diferido, representando o benefício tributário futuro que será realizado quando a inadimplência efetiva ocorrer e a despesa tornar-se dedutível. Esse ativo pode ser expressivo nas carteiras de grandes bancos.
Quando reconhecer um ativo fiscal diferido?
A norma determina que um ativo fiscal diferido deve ser reconhecido apenas se for provável que haverá lucro tributável futuro suficiente para utilizar o benefício fiscal. Para as IFs, isso geralmente é verificado por meio de projeções de lucro tributável baseadas em planos de negócios aprovados. O BACEN exige divulgação adequada sobre a natureza e o montante dos ativos fiscais diferidos, incluindo o fundamento da expectativa de realização.
Como calcular e registrar os tributos diferidos?
O cálculo é feito aplicando-se as alíquotas combinadas de IRPJ (15% mais adicional de 10% para instituições financeiras) e CSLL (15% para bancos, conforme legislação específica) sobre as diferenças temporárias identificadas. A DRE apresenta a despesa de imposto de renda como a soma do tributo corrente do período e da variação líquida dos ativos e passivos fiscais diferidos no período. O lançamento básico de constituição de ativo fiscal diferido e: débito em ativo fiscal diferido (balanço) e crédito em receita de imposto de renda diferido (DRE). Quando o ativo é realizado (diferença temporária se reverte), inverte-se o lançamento. O profissional deve documentar a origem de cada ativo fiscal diferido e a estimativa de prazo de realização para suportar a divulgação exigida pelas normas.
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